Tintas: Clientes exigem resinas de alto desempenho

Portal Química – Como se não bastasse o cenário econômico incerto, o mercado brasileiro de resinas para tintas também sofre apertos de cunho ambiental e exigências de maior desempenho por parte dos clientes. “Há grande pressão em toda a cadeia de produção por redução de preços. Para manter a qualidade, torna-se imperativo ter produtos cada vez mais eficientes, que atendam os requisitos de desempenho e colaborem para a redução do custo total de formulação”, declara Décio Fernandes Lima, gerente técnico de resinas, dispersões e aditivos para a América do Sul da Basf.

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“A busca por melhor desempenho e custos competitivos vale, não somente para resinas, mas para todos os produtos relacionados a tintas. Produtos ecologicamente corretos (baixo VOC, por exemplo), preços competitivos e cenário econômico instável (variação cambial) fazem do nosso segmento e, em particular, deste insumo, um desafio constante para nós, fabricantes de resinas e aditivos para o mercado de tintas”, comenta Adriano Petrone, diretor executivo da Wana Química filial Nordeste/Petrowan.

Diante do aumento da preocupação das companhias com as questões ambientais, reforçada pelo avanço da regulamentação, Luis Carthery Jr., diretor de negócios para a América Latina da Lubrizol, chama a atenção para “a autorregulação de algumas empresas que proativamente tem adequado o seu portfólio para reduzir e até eliminar componentes que geram impactos nocivos ao meio ambiente”.

Essa atitude está ligada a consumidores cada vez mais conscientes e críticos sobre empresas com atuação não responsável. “Apesar dessa maior preocupação e busca por materiais alternativos, existe pouco espaço para aumento de custos e as opções ambientalmente corretas têm que substituir as tecnologias mais antigas sem onerar o consumidor. Esse tem sido o grande desafio dos fabricantes de matérias-primas. Nessa perspectiva, percebemos um espaço para ruptura com os sistemas convencionais e o crescimento de tecnologias de menor impacto, com a introdução de novos sistemas monoméricos, sistemas base água, sistemas com cura por radiação UV e que permitam uma manutenção mais simples, sem gerar resíduos”.

O ramo de resinas para a formulação de tintas é dinâmico por natureza. “A evolução é contínua. As empresas buscam sempre preservar ou melhorar propriedades mecânicas, produtividade e durabilidade das tintas, a fim de trazer mais eficiência para a cadeia como um todo e melhorar a experiência do usuário final com o produto”, afirma Guilherme Lagrotta, especialista de marketing para o segmento de tintas da Dow América Latina.

Márcio Gitti, gerente dos laboratórios de aplicações técnicas da Oswaldo Cruz Química, concorda: “O mercado de resinas no Brasil está cada vez mais dinâmico, com maior exigência por novas tecnologias, produtos diferenciados e mais amigáveis ao ambiente e ao ser humano”. E adiciona que a empresa “compartilha dessa visão, buscando atender os clientes no que eles exatamente precisam, com produtos e serviços muitas vezes customizados”.

Otimista, Gitti acredita que as perspectivas a curto, médio e longo prazos são positivas: “O pior cenário já passou. Apesar do crescimento ser mais lento do que o esperado, ainda assim é de crescimento. E deve acelerar em 2019”.

Petrone considera que, a curto prazo, precisa manter os volumes de vendas e aguardar as eleições “para ver como o mercado irá se comportar com o novo governo que está para ser definido”. No médio e longo prazos, ele objetiva “continuar com o trabalho de pesquisa e desenvolvimento para se diferenciar no mercado, sempre com otimismo de que o governo desenvolva uma política econômica estável para o país voltar a crescer. Trabalhamos arduamente em desenvolvimentos para estarmos preparados para o futuro”.

Partindo do princípio de que o mercado nacional tem oscilado muito nos últimos anos, principalmente pelas questões políticas, Carthery pondera que houve uma variação importante na cadeia de matérias-primas, provocada pela elevação das cotações do petróleo e do dólar, o que tem encarecido substancialmente os insumos.

Ele garante que “essas oscilações de curto prazo não significam uma deterioração da qualidade dos produtos. Pelo contrário, com orçamentos mais limitados, cada vez mais se quer extrair resultados sem correr riscos. Obviamente, saímos há pouquíssimo tempo do estado de recessão técnica e isso tem impactado o volume de vendas; acredito, porém, que seja conjuntural e, com a definição do quadro político, devemos perceber uma melhora já em 2019 frente à demanda represada. Se há um lado positivo desse período de recessão, foi que ele exigiu avanços tecnológicos e em produtividade que serão ainda melhor aproveitados com a retomada da economia”, discorre o diretor.

Apostando no consumo cada vez mais responsável e exigente e sabendo que orçamentos menores têm trazido desafios técnicos maiores, Carthery tem certeza de que se sobressaem as empresas que investem em tecnologia. Em julho, a Lubrizol completou 90 anos de existência, e tem se destacado nos diversos setores de atuação, como cosméticos, lubrificantes e revestimentos, pelas inovações que introduziu ao longo dos anos. “Esta será a estratégia para crescer, a introdução de tecnologias acessíveis que permitam melhor desempenho e uma redução no custo global da aplicação, seja por durabilidade, seja por desempenho”, arremata.

Lagrotta enfatiza que a demanda de clientes e parceiros vai sempre pelo que há de mais inovador, produtivo e sustentável. “É constante o desenvolvimento de soluções que levem em conta a sustentabilidade. Além disso, tentamos trabalhar para promover as soluções mais premium, que podem ser uma grande oportunidade para a melhoria dos produtos finais, e deixar de discutir apenas questões de preço”.

Ele explica: “a nossa linha de produtos é robusta. Temos soluções capazes de atender os principais desafios dos clientes e trabalhamos junto a parceiros e entidades para mudar uma percepção do mercado e mostrar que um produto com preço um pouco mais alto vai durar mais, ter melhor produtividade e desempenho, melhorar o bem-estar dos aplicadores ou dos moradores de uma residência”.

Trata-se de um trabalho de longo prazo, admite, “mas as pesquisas e o acompanhamento do mercado mostram que o público está aberto a conhecer novas soluções, comprar produtos com funcionalidades mais amplas e que contribuam com o resultado final”.

Tecnologia – Quando se fala de tecnologia, o leque é variado. “Há muita tecnologia nova”, observa Lagrotta. A Dow, por exemplo, diz possuir a carteira mais completa para tintas e revestimentos da América Latina. Contempla desde tecnologias simples até as mais sofisticadas para os setores arquitetônico (econômica, standard e premium) e industrial (como demarcação viária, embalagens e metal).

“São soluções que atendem às necessidades do mercado em relação à sustentabilidade (soluções que aliam impacto positivo sobre o meio ambiente sem comprometer as características desejadas), desempenho (soluções desenvolvidas para melhorar os atributos dos produtos existentes no mercado) e funcionalidade (soluções inteligentes que vão além de cor e proteção)”, relata o executivo de marketing.

“A própria Dow já disponibiliza uma solução totalmente nova no mercado brasileiro, para tintas de apenas uma demão, pensada especialmente para quem quer renovar a pintura da casa com rapidez, economizando em mão de obra, tempo e manutenção. Ela garante alto poder de cobertura e nivelamento, reduzindo as manutenções e é ideal para a prática do faça você mesmo”, reflete.

Na área industrial, o porta-voz diz que um grande foco recai sobre as demarcações viárias. “Estamos trabalhando para promover a linha Fastrack, criada para melhorar o desempenho nas sinalizações de vias. Composta por emulsões à base d’água, tem maior durabilidade e possui até dez vezes menos solvente em comparação a uma tinta tradicional”.

Gitti diz que a Oswaldo Cruz “está focada em tecnologias de nano e micropartículas, com baixo VOC e novos parâmetros de performance”. A Wana comunica que está sempre se preparando técnica e comercialmente, com produtos diferenciados, para atender os seus clientes/parceiros comerciais. E que, em breve, haverá inovações. Além de ampliar cada uma das linhas de produtos, a empresa terá “mais novidades para outros nichos”.

A Wana está prestes a dar a partida em um reator “com maior capacidade, que aumentará os volumes de produção no segundo semestre”, antecipa Petrone. Segundo o executivo, “o preço é um fator primordial para o desenvolvimento desse campo e um desempenho diferenciado pode alavancar o segmento com um custo muito próximo do que é praticado”.

“Uma das grandes novidades da Lubrizol”, manifesta Carthery, “são as emulsões base água com propriedades capazes de substituir sistemas base solvente, sem prejuízo em desempenho”. Destaque para a linha Carboset para esmaltes, um produto acrílico base água que permite a substituição dos sistemas alquídicos e alquídicos emulsionados com ganhos significativos na resistência à corrosão, na alvura e blocking, ainda contando com uma secagem muito mais rápida e mantendo em grande parte as questões estéticas de brilho e nivelamento.

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Além disso, recentemente introduziu a nova Carboset de produtos híbridos acrílico-uretano, que entrega baixa absorção de água, excelente equilíbrio entre elongação e tensão na ruptura e a manutenção dessas propriedades mesmo após o envelhecimento. “A combinação única do poliuretano e o acrílico proporciona maior durabilidade ao revestimento, apresentando resultados de emissividade e refletância superiores às das resinas acrílicas convencionais, permitindo a formulação de revestimentos para telhados frios mais eficientes. Esse produto possui uma tecnologia que entrega baixa pega de sujeira, resistência à migração de betumem e a ausência de APEO, NMP e NEP, reforçando o compromisso da empresa com a sustentabilidade”, sublinha o executivo.

Também inaugurou recentemente um novo centro de pesquisa em polímeros, em Paulínia-SP, que permitirá desenvolver produtos focados nas necessidades locais em parceria com os principais clientes na região.

A Dow não revela investimentos. Informa, porém, que tem trabalhado em questões-chave para a América Latina: água, mudanças climáticas, economia circular e bem-estar, por meio de cadeias de valor estratégicas como infraestrutura, alimentação e bens de consumo. “O ramo de tintas está diretamente ligado à cadeia de valor de infraestrutura, que tem se dedicado a promover colaborações entre governo, academia e setor privado para endereçar questões de moradia e mobilidade urbana. Dessa forma, há muitas oportunidades de desenvolvimentos e aperfeiçoamento de soluções”, observa Lagrotta.

Ofertas – Para sobreviver em meio às intempéries de mercado, a Basf oferece, de acordo com Lima, ampla gama de resinas para tintas industriais, desenvolvidas para agregar valor à formulação do cliente. Além disso, esses produtos são periodicamente avaliados sob a ótica de sustentabilidade. São, portanto, soluções que podem contribuir significativamente para a eficiência, a durabilidade e a melhoria de saúde e segurança na produção e aplicação de tintas industriais.

Nesse sentido, figuram as linhas Joncryl e Acronal e a resina acrílica Basonol AC 1120 W. A Basonat HW 4155 P vem com nova tecnologia de estabilização, combinando fácil mistura com alta resistência química. O produto contém um teor de sólidos de 55%, diluído em diacetato de propileno glicol (PGDA) e é pronto para uso.

Dentre os seus benefícios, Lima cita: fácil emulsificação; alta resistência química; desenvolvimento rápido de secagem e dureza; nova tecnologia de estabilização para melhor compatibilidade; e compatibilidade com dispersões primárias e secundárias. É indicada para revestimentos profissionais de piso PU 2K (poliuretano bicomponente), revestimento de móveis de alta qualidade e aplicações industriais.

Gitti assinala que, para tintas imobiliárias, a Oswaldo Cruz possui os ligantes acrílicos Fortcryl 6110 e Fortcryl 6045; para impermeabilizantes, as resinas Fortcryl 4000, 4600, 4700 e 4955; e os espessantes acrílicos Fortcryl 3100, 3120 e 3125 para massas e texturas; e Fortcryl 3140 3160 como espessante/modificador reológico para tintas.

Por sua vez, a Wana dispõe de resinas para tintas (Wancril 1015), para esmalte base água (Wancril ES 01), elastomérica (Wancril IMP-09), para cimentos (Wancril IMP-11), demarcação viária (Wancril RD), para gesso (GS 1240), para piso (Wancril 1019) e para telhas (Wancril TL-12).

A Dow possui várias soluções na área arquitetônica: Elastene 2472 e as Primal e Acrysol. Para formulações de tintas econômicas, desenvolveu modificadores de reologia Primal DR, que têm impacto positivo no meio ambiente, pois possuem baixa emissão de compostos orgânicos voláteis (VOC) e são livres de alquilfenóis etoxilados (APEO). No industrial, que inclui demarcação viária e aplicações em metal, as resinas Fastrack, Paraloid, Avanse MV100 e Avanse 200 e Maincote.

O portfólio da Lubrizol conta, além da linha Carboset, com o Permax, “o mais recente avanço em tecnologia de proteção à corrosão”, e o Aptalon, um composto de dispersão de poliuretano autorreticulado à base de água, utilizando a tecnologia de poliamida Aptalon patenteada no backbone para proporcionar maior durabilidade ao desgaste, arranhões e resistência química para aplicações de pisos de madeira de alto desempenho.

Fonte original do texto: Portal Químicahttps://www.quimica.com.br/tintas-clientes-exigem-resinas-de-alto-desempenho/3/

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