Análise: O setor de tintas diante da pandemia

Pincel e balde de tinta na cor azul

Notícia por Química e Derivados – A situação atual, provocada pela pandemia de Covid-19, é inédita para a indústria de tintas, assim como para as demais atividades econômicas. Não temos respostas prontas e não conseguimos fazer previsões em relação ao que ocorrerá no curto ou no médio prazos. Por isso, trabalhamos a cada dia com as informações e análises de cenários disponíveis, para mitigar os efeitos da pandemia sobre o nosso setor e, ao mesmo tempo, para nos prepararmos para a futura retomada das atividades em ritmo normal.

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Uma das prioridades do trabalho que estamos fazendo é mostrar como as tintas são produtos essenciais. Destacamos que os nossos produtos são indispensáveis para os mais variados setores, sendo utilizados para proteger, aumentar a durabilidade, embelezar e valorizar praticamente todos os tipos de bens e estruturas. Criamos até a hashtag #TintaÉEssencial para salientar ainda mais esse fato.

Consideramos que este é um momento muito difícil e desafiador, mas que será superado. No curto prazo, o impacto é significativo. Não teremos a retomada mais forte do crescimento da indústria de tintas em 2020, como esperávamos antes da eclosão da pandemia. Mas as perspectivas para o médio e longo prazo continuam sendo bastante favoráveis, pois o mercado brasileiro é muito amplo e apresenta inúmeras oportunidades. Existe, por exemplo, uma demanda reprimida por tintas imobiliárias, que se acentuará com as pinturas não realizadas neste momento. Além disso, a experimentação dos efeitos positivos das tintas na decoração, renovação e proteção de paredes e móveis no período de pandemia abre novas perspectivas para a promoção do produto e as suas vendas no futuro.

Homem trabalhando na indústria de móveis
Indústria de móveis e tintas imobiliárias terão boa retomada

Da mesma forma, outros bens de consumo, de automóveis a eletrodomésticos, também verão suas vendas serem retomadas com mais força em alguns meses, depois de uma queda abrupta. Adicionalmente, o País continuará tendo a necessidade de investir pesadamente em infraestrutura e em habitação nos próximos anos, para atender às necessidades de modernização do país e de melhoria das condições de vida, assim como para contribuir para a geração de empregos, tão necessária diante da situação atual.

É um fato que todos esses bens e projetos exigem a utilização de tintas, o que impulsionará o nosso setor. Há, portanto, um futuro muito promissor pela frente, depois que ultrapassarmos este momento. Para torná-lo realidade, temos de estar preparados os desafios que já existiam e que se ampliaram com a pandemia, a começar pelo cenário de permanente transformação.

A indústria de tintas deverá prosseguir em seu processo contínuo de evolução, acompanhando e antecipando-se às tendências globais e locais, tanto no que se refere às demandas da sociedade (envolvendo temas como sustentabilidade em processos e produtos, facilidade de aplicação, melhoria de desempenho e qualidade, adição de novas funcionalidades, entre outros), quanto às exigências crescentes de novas regulações, assim como à incorporação mais forte da digitalização ao nosso negócio.

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Ao mesmo tempo, temos de colocar especial esforço no crescimento do mercado, com a ampliação da base de consumidores, o aumento da frequência da pintura e o aumento do padrão de consumo (elevando cada vez mais o nível de qualidade dos produtos). Precisamos, também, investir cada vez mais na capacitação dos profissionais que atuam na cadeia produtiva de tintas, na revenda e na aplicação do produto.

Para que tudo isso se concretize, é fundamental buscar, por um lado, a integração de cadeia produtiva e a disseminação de conhecimentos dentro dela. Isso é o que fazemos, por exemplo, em nosso evento ABRAFATI, com dezenas de estudos técnicos sendo apresentados no Congresso, milhares de desenvolvimentos e inovações em destaque na Exposição e um forte impulso à interação e ao relacionamento entre os profissionais do setor. Ao mesmo tempo, temos trabalhado em conjunto com as principais associações representativas da indústria de tintas no mundo, dentro do World Coatings Council e da LatinPin (Federação Latino-Americana de Tintas), com foco em ações conjuntas e no intercâmbio de experiências e informações.

O momento é desafiador, mas mesmo antes da pandemia já sabíamos que vivíamos em um ambiente volátil, incerto, complexo e ambíguo (o chamado Mundo VUCA). Temos, assim, de intensificar os esforços para acompanhar as mudanças, rompendo paradigmas e tomando todas as medidas para aumentar a eficiência e reduzir custos. A indústria de tintas está a postos para contribuir para que o futuro à nossa frente tenha cores mais alegres!

Texto: Luiz Cornacchioni

Foto de Luiz Cornacchioni, presidente da ABRAFATI
Luiz Cornacchioni, presidente da ABRAFATI

ABRAFATI

Fundada em 1985, a ABRAFATI – Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas representa a cadeia produtiva de tintas, reunindo fabricantes e seus fornecedores. A Associação conduz uma série de atividades e programas com foco em quatro pilares de atuação: representar os interesses do setor (Advocate), desenvolver a capacitação do setor (Capability Developer), facilitar o acesso ao conteúdo (Content Facilitator) e proporcionar oportunidades de relacionamento (Networker). É membro da LatinPin (Federação Latino-Americana de Tintas) e World Coatings Council, com participação ativa nas discussões relacionadas às questões-chave para a indústria de tintas.

Fonte original da notícia: Química e Derivados

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