Artigo: Desafios e oportunidades para a indústria de tintas

Vários baldes de tintas com cores variadas.

Artigo por Química e Derivados – A eclosão da pandemia de Covid-19 pegou a todos nós de surpresa e representou um enorme desafio para a indústria de tintas, assim como para todos os setores da economia e da sociedade. Ninguém estava preparado para isso e tivemos de exercitar ao máximo a nossa resiliência e capacidade de adaptação para superar as inúmeras dificuldades que surgiram e responder a perguntas que não estavam no nosso radar.

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A situação agora já está muito melhor, como resultado de um grande esforço de todo o setor e de uma série de aprendizados que tivemos em tempo recorde. O fato é que chegamos ao fim do ano com vários segmentos da indústria de tintas com as vendas em ritmo positivo. Um exemplo é o da linha imobiliária, que viu a demanda se expandir a partir da retomada da construção civil e, especialmente, da tendência crescente de maior cuidado das pessoas com suas residências, impulsionada pelo período de isolamento em casa, no qual enxergaram melhor o valor de um ambiente agradável e bonito.

As tintas de repintura automotiva também tiveram aumento nas vendas no segundo semestre, puxadas pelo crescimento das negociações de veículos usados (que foram estimuladas pela maior demanda por transporte individual). Da mesma forma, nas tintas para a indústria a situação vem se mostrando favorável em várias áreas, como as ligadas ao agronegócio e outras que foram impulsionadas pela própria pandemia – como as de motocicletas, móveis, eletrodomésticos, equipamentos hospitalares, embalagens para alimentos e outras –, embora existam segmentos em que a recuperação demorará um pouco mais, como o automotivo.

pintura automotiva
Tintas de repintura automotiva tiveram alta

O fato a ser destacado desse período é que desafios, qualquer que seja a sua dimensão, abrem novas oportunidades. Isso é algo que já sabíamos, mas que foi elevado à enésima potência neste período de pandemia. Foi a comprovação de que não podemos nunca ficar acomodados e fazer as coisas como sempre foram feitas, mas devemos estar preparados para cenários em permanente e veloz transformação.

Durante a pandemia e depois dela, temos de evoluir continuamente, acompanhando e antecipando-nos às tendências globais e locais, tanto no que se refere às demandas da sociedade (envolvendo temas como sustentabilidade em processos e produtos, facilidade de aplicação, melhoria de desempenho e qualidade, adição de novas funcionalidades, entre outros), quanto às exigências crescentes de novas regulações, assim como à incorporação mais forte da digitalização ao nosso negócio. Outro importante desafio, para qualquer época, é a capacitação dos profissionais que atuam na cadeia produtiva de tintas, na revenda e na aplicação do produto, para acompanhar a evolução tecnológica e as novas demandas dos usuários.

Ao mesmo tempo, temos de colocar especial esforço no crescimento do mercado, com a ampliação da base de consumidores, o aumento da frequência da pintura e a elevação do padrão de consumo (aumentando cada vez mais o nível de qualidade dos produtos). Em relação a esse aspecto, uma das prioridades deve ser a de demonstrar como as tintas são essenciais e como trazem benefícios que, de maneira geral, podem ser divididos em dois grupos: o primeiro é a sua contribuição para a transformação visual, e o segundo é a incorporação de características de desempenho adicionais e muito necessárias ao produto final, como durabilidade e qualidade.

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Para superar esses desafios, é fundamental buscar a integração de cadeia produtiva e o trabalho em colaboração, assim como proporcionar oportunidades de networking e facilitar o acesso a conhecimentos e conteúdos essenciais. Isso é o que faremos, por exemplo, em nosso evento Abrafati 2021, com dezenas de estudos técnicos sendo apresentados no Congresso, milhares de desenvolvimentos e inovações em destaque na Exposição e um forte impulso à interação e ao relacionamento entre os profissionais do setor. Esse é um importante impulsionador das oportunidades, mas há inúmeras outras iniciativas que podem ser planejadas e implementadas, para as quais reforço a relevância da colaboração, palavra que cada dia mais é prioritária para o setor.

Texto: Luiz Cornacchioni, presidente-executivo da Abrafati.

Fonte original do artigo: Química e Derivados

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