Inovações da química permitem o desenvolvimento de soluções em todas as indústrias

Por meio de investimento próprio, parcerias com centros de pesquisa e startups, a indústria química cria soluções que agregam valor a diversos segmentos

A inovação é um processo fundamental para qualquer empresa, independente de sua área de atuação. Desenvolver novos produtos, serviços e processos a diferencia da concorrência e ajuda a manter sua competitividade.

A mudança de hábitos de consumo, a percepção de valores pelo consumidor final, a necessidade de reduzir custos são situações que contribuem para a criação de inovações na indústria. Sendo a química a “indústria das indústrias”, seus profissionais precisam estar atentos às necessidades de outros setores. Mas antes de investir em uma determinada inovação é preciso saber se existe demanda no mercado para o produto, processo ou serviço que será gerado.

Segundo o coordenador da Comissão de Tecnologia da Abiquim, Rafael Pellicciotta, que também é gerente executivo de Inovação e Engenharia da Elekeiroz, a indústria química é intensiva em tecnologia e, para ser competitiva, uma empresa precisa investir em inovação para melhorar processos e desenvolver novos produtos. Apesar da inovação concorrer com as atividades do dia a dia, Pellicciotta avalia que o cenário brasileiro está mais propício para a condução de projetos de inovações.

“A forma mais convencional de promover inovações é por meio de investimento de recursos próprios das empresas. Atualmente o país conta com mecanismos de incentivos, como a Lei do Bem, que permite a dedução, na base de cálculo do Imposto de Renda das empresas, dos recursos que foram investidos em inovação na própria empresa, ou mesmo dos recursos investidos na contratação de institutos de tecnologia. Também existem os mecanismos oferecidos pela Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) e os editais de inovação do Senai, que oferecem parte dos recursos para a condução de projetos na condição de subvenção, não-reembolsáveis”, explica.

Com o objetivo de desenvolver soluções para o mercado de produtos capilares, a Clariant inaugurou, em fevereiro de 2017, o Centro de Competência em Hair Care, localizado na capital paulista. O novo centro de pesquisa trabalha em colaboração com a rede mundial de inovação da companhia, formado por oito centros globais de pesquisa e mais de 50 centros de aplicação técnica, que já produziram mais de 7 mil patentes.

Segundo a gerente do Centro de Competência em Hair Care da Clariant, Luciana Rodrigues, o Brasil foi escolhido para receber o primeiro centro de pesquisa para cuidados com os cabelos por diversos fatores estratégicos. “O País conta com um mercado altamente dinâmico, com ampla diversidade de tipos e texturas de cabelos, e com hábitos de consumo que lançam tendências para a indústria mundial de hair care. O Brasil ainda abriga importantes institutos de pesquisa para o setor, que são potenciais parceiros para a empresa e é um dos mercados de personal care que mais cresce no mundo, representando 20% do crescimento global do segmento de hair care”, explica.

O centro de pesquisa permitirá à empresa fortalecer sua presença no setor e desenvolver soluções que respondem às demandas atuais e as tendências da indústria de hair care de clientes nacionais e internacionais. “Nosso foco será entender as necessidades dos consumidores, traduzir essas necessidades para a linguagem das ciências e criar soluções funcionais inovadoras para produtos de cuidados com o cabelo para o mercado global”, finaliza Luciana.

Mas as inovações não acontecem apenas nas grandes empresas; parcerias com startups e a academia também podem gerar produtos, processos e serviços criados para solucionar problemas e desafios relacionados à atividade industrial. E as indústrias químicas desenvolvem ações que promovem esse intercâmbio.

A Akzo Nobel realiza em 2017 a primeira edição do “Imagine Chemistry – AkzoNobel Chemicals Startup Challenge”. O desafio é parte de uma abordagem de inovação aberta e é realizado em parceria com a consultoria KPMG. Ele recebeu mais de 200 ideias advindas de startups, estudantes, professores, grupos de pesquisa e cientistas de 22 países, de todos os continentes, sendo que o Brasil liderou o número de inscritos na América Latina, com 6 projetos.

A iniciativa foca em encontrar soluções para os temas: “Química e Tecnologia de Alto Poder Reativo” e “Alternativas Sustentáveis às Tecnologias Atuais”, “Inovação em reciclagem de plásticos”, “Sites químicos livres de águas residuais”, “Alternativas à base de celulose para materiais sintéticos”, “Surfactantes e espessantes de base biológica e biodegradáveis”, além de “Fontes de etileno com base biológica”.

Atualmente, os autores dos projetos recebidos trabalham em parceria com sete equipes designadas pela AkzoNobel, formadas por 35 especialistas nos diversos assuntos, por meio da plataforma online “Imagine Chemistry”, com o objetivo de desenvolver as ideias. Os autores das 20 propostas mais promissoras, participarão de um evento de aceleração, que acontece de 1 a 3 de junho, na cidade de Deventer, na Holanda. Durante o evento, as startups e profissionais selecionados trabalharão ao lado de especialistas da AkzoNobel e parceiros em áreas como pesquisa e desenvolvimento (P&D), finanças, startups, inovação aberta e marketing, além da alta direção da empresa e potenciais investidores, para promover o desenvolvimento das ideias e abordagem de vendas. Ao final deste processo, ao menos uma equipe vencedora será escolhida para colocar em prática sua proposta contando com o suporte e a colaboração da empresa.

A Basf também investiu em um programa de inovação aberta. No segundo semestre de 2016 a empresa realizou, em parceria com a aceleradora de startups ACE, o programa AgroStart, no qual foram selecionadas empresas que produzissem soluções para automatização, tomada de decisão, qualidade de vida no campo e gestão da lavoura utilizando plataformas como Big Data e internet das coisas.

O coordenador da Comissão de Tecnologia da Abiquim, Rafael Pellicciotta, explica que as parcerias entre startups, pesquisadores e as grandes empresas têm importância para o setor. “Com as parcerias, as startups têm mais chance de desenvolver suas tecnologias e as grandes empresas são clientes para as inovações”, analisa.

Fonte: https://www.quimica.com.br/inovacoes-da-quimica/2/

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *