Abrafati: Insumos avançados aumentam desempenho, sem elevar custos

Como fazer descarte de tintas?

Texto por Química Os expositores da Abrafati 2019 querem aproveitar a maior vitrine e ambiente de networking do setor para mostrar inovações e alternativas econômicas de suprimento.

Confira também no blog da SQ Química: Thierry Vanlancker será o palestrante da primeira Sessão Plenária da ABRAFATI 2019

O clima dos negócios atual não é dos mais animados, porém há espaços para conquistar e permanece firme entre os participantes da cadeia produtiva a expectativa de início de um novo ciclo de expansão do PIB nacional. Nessa perspectiva, os fornecedores devem estar preparados para atender a demanda futura em patamares elevados.

Além disso, há pressões de mercado na direção de produtos mais amigáveis aos usuários e ao meio ambiente, exigindo novas soluções tecnológicas. “O setor de tintas e revestimentos é muito competitivo e, apesar de sua maturidade, observamos que as mudanças regulatórias e de segurança têm contribuído para um constante avanço tecnológico das formulações. Outro aspecto que tem influenciado positivamente os desenvolvimentos nesta indústria são as tendências de consumo. Em tintas decorativas, por exemplo, percebemos que os consumidores brasileiros estão cada vez mais exigentes em suas escolhas, há uma busca maior por produtos de melhor qualidade, com desempenho superior, ou seja, que tenham durabilidade, cobertura e fácil aplicação. Outro ponto que observamos é a exigência por formulações mais sustentáveis, com baixo VOC, baixo odor, livres de APEO (alquilfenóis etoxilados), baixa toxicidade e outras reduções de impactos ambientais”, avaliou Fabiana Marra, líder de negócios globais para coatings da Oxiteno, companhia que atua nesse mercado há mais de 20 anos.

“Uma visão panorâmica do setor mostra um mercado bem fraco neste ano, mas, ampliando a imagem e olhando nos detalhes, dá para perceber movimentos interessantes que sinalizam oportunidades”, comentou Carlos Fernando Abreu, diretor da Colormix, distribuidora especializada em pigmentos e aditivos para tintas.

Ele relatou que o ano começou com muito otimismo, as vendas de automóveis estavam melhorando, puxando a venda de ingredientes de alto valor. “Em alguns meses, a situação mudou e as vendas esfriaram”, disse. “No fim do primeiro semestre, voltamos a sentir a recuperação do ânimo do setor automotivo, devemos ter um segundo semestre melhor que o primeiro, como de costume, mas não acredito nem em empatar com o segundo semestre de 2018”, adiantou.

Abreu aponta que as tintas de impressão e as dedicadas aos plásticos estão avançando bem, a automotiva anda de lado e a construção civil está muito fraca. “O mercado está apertado, os fabricantes de tintas estão brigando pelos negócios existentes, então tem gente procurando inovação para reduzir custos sem perder qualidade e desempenho”, comentou.

Ao mesmo tempo, ele verifica que algumas empresas preferem evitar mudanças, com medo de mexer nos custos, enquanto a concorrência direciona esforços para apresentar novidades ou buscar a satisfação dos clientes. “Quem só tem olhos para cortar custos acaba mal, perde terreno”, disse. Abreu comentou ter visto muitos brasileiros no European Coatings Show para buscar tecnologia e, com ela, complementar portfólio com custos adequados ao mercado.

A desvalorização do real, efeito colateral da guerra comercial entre Estados Unidos e China, afeta diretamente o setor, cujos insumos são majoritariamente comprados em dólares. O dólar mais caro exerce uma pressão para elevar os preços finais das tintas, mas isso nem sempre é bem aceito pelos compradores, provocando retração de mercado.

Abreu salienta que o mercado brasileiro tem condições de evoluir sem depender de fatores externos. “Nosso mercado de consumo é grande, falta reduzir significativamente o desemprego e resolver as nossas questões internas, focando no que pode ser feito para melhorar”, salientou. Porém, a sua expectativa de crescimento do PIB para 2019/2020 é baixa, máximo de 2%. “Em 2021 será possível pensar em crescimento maior”, disse.

A Colormix, como explicou, é puxada por duas locomotivas: os aditivos da BYK e os pigmentos especiais da Eckart. “As duas empresas possuem produtos de alta qualidade, dedicados a quem se interessa por tecnologia e inovação”, salientou. Como decorrência, a distribuidora foca mais os fabricantes de produtos de alta e média qualidade e preço. “Não estamos muito ativos nas linhas decorativas, até porque esse segmento formula mais em base água, que não é o nosso forte, nem demanda pigmentos de efeito”, explicou. A Colormix também distribui pigmentos de outros fornecedores, a exemplo da Ferro, até produzindo ela mesma pastas pigmentárias de óxido de ferro para tintas decorativas.

Neste ano, passou a distribuir os secantes da Producciones Quimicas, cujos blends atendem a curva de secagem de tintas nas partes inferior e superior, de modo a prevenir defeitos no filme seco. São indicados para tintas alquídicas de cadeias longas/médias em óleo, com opções para acrílicas, uretânicas e epóxi. Também recente no portfólio da distribuidora é a indiana Mamta Polycoats, fabricante de ésteres de ácido cítrico para tintas que desejam usar sistemas mais vegetalizados. (Veja adiante mais lançamentos da Colormix na exposição)

Reforço de portfólio – A distribuidora quantiQ, do Grupo GTM, aproveitará a Abrafati 2019 para apresentar novas distribuídas e produtos para tintas imobiliárias e para indústria em geral. “Neste ano, estamos atuando com o foco bem direcionado no setor imobiliário, que representa quase 80% das vendas de tintas no Brasil”, afirmou Felipe Picinini, líder de marketing de Coatings, Adesivos e Construção. “E estamos crescendo, apesar da situação difícil de mercado”.

Picinini comentou que a distribuidora obtém bons resultados em 2019, com crescimento orgânico. “Crescemos pouco, mas crescemos”, afirmou. Detentora de amplo portfólio de produtos e de segmentos atendidos, a distribuidora tem encontrado boa receptividade em nichos específicos, com especialidades químicas. “São insumos que fazem a diferença no produto final”, considerou.

A importância da Abrafati é explicada pelo fato de 92% de seus clientes participarão ou visitarão a exposição e o congresso. “O evento tem credibilidade e é muito bom para relacionamento com os tradicionais e novos clientes”, disse.

Além de reforçar a divulgação de seu portfólio de mais de 250 itens para o setor de tintas e revestimentos, a quantiQ/GTM apresentará sua nova distribuída, a italiana Sapici. “Eles produzem isocianatos para sistemas mono e bicomponentes, alguns inovadores, com ênfase nas aplicações sobre madeira”, explicou.

A Evonik já é parceira tradicional da distribuidora e conta com estande próprio na feira. Mas a quantiQ também enfatizará os novos agente de cura para epóxi da linha Ancamine, indicados para aplicações em pisos. Além disso, estarão disponíveis no estande da distribuidora informações sobre os novos crosslinkers derivados de isoforona produzidos pela companhia química de origem alemã. Isso engloba os poliisocianatos Vestanat para formular sistemas mono e bicomponente de elevada resistência, o solvente Vestasol de baixa taxa de evaporação, e a amina cicloalifática Vestamin para cura de sistemas epóxi.

De olho no futuro – O consultor técnico de aditivos da Basf para a América do Sul, Marlon Braidott, relatou que, durante o primeiro semestre, não se obteve a recuperação econômica esperada, mas ele acredita em um discreto movimento positivo no segundo semestre, com a possível melhoria do cenário econômico. Por isso, nas tintas decorativas, a companhia ainda percebe nos clientes o foco no custo-benefício, com redução do custo final de formulação. “Em linha com essa demanda, promoveremos produtos que colaboram para aumentar o desempenho sem incrementar os custos, inclusive sendo este o tema de uma de nossas palestras no congresso e também do que será apresentado pela equipe técnica e de vendas aos visitantes do nosso estande”, informou.

De outro modo, no segmento automotivo, houve aumento da produção local de carros, apesar da queda nas exportações para Argentina. O setor de repintura, como apontou Braidott, tem mantido os números de vendas crescentes, graças ao aumento da compra de veículos usados e à manutenção do carro como meio de transporte. “É válido comentar que, no segmento automotivo, temos notado grande pressão sobre matérias-primas de alto valor, principalmente as importadas e precificadas em dólar. Por isso, temos focado em alternativas de alta performance que permitam redução do custo total”, comentou.

Sobre as tintas industriais, a expectativa da Basf é de crescimento acima da média do setor, justificado pelas vendas de máquinas agrícolas e de infraestrutura industrial. “Enxergamos oportunidades de desenvolvimento que proporcionem maior durabilidade ao substrato, como tintas para metais e madeira, e vamos promover alguns produtos para estes segmentos na Abrafati”, finalizou.

Sílvio Torres, líder da unidade de negócios de Revestimentos, Adesivos e Especialidades da Covestro para a América Latina, ressalta que as cidades são especialmente fascinantes. A combinação de oportunidades de emprego, qualidade de vida e infraestrutura moderna é uma tentação para muitas pessoas, que acabam escolhendo viver nas grandes cidades, acelerando a urbanização. As grandes regiões metropolitanas atuam como o motor da inovação, mas elas também representam um grande desafio no que diz respeito ao controle sustentável de recursos, do clima e do meio-ambiente. É pensando nisso que a Covestro levará para a Abrafati 2019 o conceito de Sustainnovation (união entre sustentabilidade e inovação). “A proposta é promover inovações para desenvolvimentos sustentáveis capazes de desafiar limites em todas as indústrias em que atuamos”, explicou Torres. “O estande da Covestro estará dividido em quatro distritos, nos quais apresentaremos propostas de soluções para os segmentos de Mobilidade, Infra-estrutura, Living, Esportes e Lazer”.

Tendências

O mercado de tintas quer ampliar a sustentabilidade de suas operações e conta com o auxílio da indústria química para atingir esse objetivo. Wildon Lopes, CEO e diretor geral da Polystell Aditivos, salienta que a empresa promoverá lançamentos de ingredientes “verdes” neste ano, atendendo a uma demanda de mercado atual. “Os fabricantes nacionais, em sintonia com o mercado global, vêm buscando produtos dessa natureza, aditivos verdes, amigáveis ao meio ambiente e aos consumidores”, ressaltou.

Na avaliação da Carbono Química, “o mercado de tintas e vernizes está em compasso de espera, assim como muitos outros mercados, pelo desfecho das medidas estruturais necessárias para destravar a economia do país. O crescimento deste ano será bastante tímido e as empresas pensam com muita cautela antes de fazerem novos investimentos. Nesse cenário, o caixa da empresa é o ponto central das preocupações”, comentou Rose Meire, gerente comercial da distribuidora.

Mesmo assim, a Carbono participa da Abrafati 2019 muito otimista em relação ao futuro da economia brasileira em 2020, porém mantendo seus pés no chão, continuando o trabalho durante o ano atual. Ela destacou a linha de secantes como novidade para a companhia, com mais de 45 anos de atuação.

A Adexim-Comexim preparou sua participação na Abrafati 2019 com perspectiva muito otimista. “O Brasil voltou a promover os empreendedores, e a indústria de Tintas é um segmento que tem se preparado para voltar a crescer, usando muita tecnologia e otimização de processos”, disse o diretor Carlos H.S. Russo. “A Tecnologia 4.0 estará presente no nosso estande através de equipamentos e produtos, não perderemos essa oportunidade de trazer o melhor para a indústria nesta fase de retomada.”

“Apresentaremos nossa nova marca, novo logotipo e perfil da empresa, com ele, um grande portfólio com produtos inovadores”, disse Petra Shie, fundadora e diretora de marketing da SQ Química. Estará presente, também, a tradicional linha de matérias-primas de cura por ultravioleta, oferecida com a estratégia de one stop shop, ofertando ao mercado oligômeros de diversas famílias, monômeros desde monofuncionais até hexafuncionais, linha completa de fotoiniciadores, dispersões de pigmentos de alta performance e complementos para formulações, além de sílicas pirogênicas e fosqueantes, resinas metacrílicas sólidas, bentonitas, sulfato de bário de alta performance, entre outros. “Em constante desenvolvimento, nossa linha de aditivos de alta performance para coatings cresceu neste ano mais de 100% em comparação a 2017. Vamos levar inovação e conhecimento técnico a todos os visitantes”, salientou Rafael Santos, diretor técnico da SQ Química.

Fonte original do texto: Abrafati

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